quinta-feira, 6 de novembro de 2008

9º DIA – 12/07/2008 – 06:59 – SAÍDA – CALETA OLÍVIA - SABADO

Hodômetro: 47.174 km.
Caleta Olívia: El Hueso Perdidos
Rio Gallegos: Austral Apart Hotel
Quilometragem feita de Caleta Olívia a Rio Gallegos: 47.901 - 47.174 = 727 km

De Curitiba a Rio Gallegos: 47.901 - 42.919 = 4.982 km

Acordamos às 06h00. Ô banheirinho ruim! É um quadrado de 1mx1m; nem isso! Tudo bem se não tivesse cortina de plástico; porque a gente se molha, molha a cortina e ela fica grudando na gente. Aí tem que colocar a cortina pro lado de fora do quadrado pra não grudar. Aí... molha o banheiro. Aí... tem que enxugar. Por isso que tem um rodinho no banheiro. Tudo bem, de novo, se não fosse apertadinho e desse para passar o rodinho. Para caber o rodinho tem que passar de "fianco" (de lado), daí só pega a pontinha. O chuveiro é outro show à parte: sai água até para cima, parece aquele show das águas luminosas. Mas, todos se salvaram. Conseguimos tomar banho. Agora vamos arrumar as coisas, descer e dar o fora daqui.
Saímos às 06h59min. Cacilda! Não tem placa mesmo! E o povo não sabe dar informação! Levamos meia hora para sair de Caleta Olívia, e ainda pelo lado errado. Não conseguimos achar a Rota 3 saindo direto da cidade. Pegamos uma estrada até Cañadon Seco e de lá, uma estrada de rípio até achar a Rota 3 de novo. E o pior é a escuridão. Só nós e Deus nesta estrada. Andamos, mais ou menos, 12 km. Agora estamos na Rota 3, às 07h49min. Falei pro João: "Vira à direita, senão vamos para Caleta Olívia de novo". Ninguém quer voltar para lá. Na volta, vamos ficar em Puerto Deseado.
São 08h43min e nada de amanhecer. A estrada não tem marcação nenhuma. Às 08h50 encontramos os primeiros montinhos de neve; já viraram gelo. Saímos do carro para tirar foto. O João avisou a Mehl para não correr e, adivinha? Quando ele virou ela já estava correndo e escorregando no gelo que tinha no acostamento. Ainda bem que não caiu. Agora que está começando a clarear.
Às 09h45min passamos em Três Cerros. Achamos que era, pelo menos, uma vilazinha. Que nada! A gente entra, vê um posto policial, em seguida um hotel, um restaurante, o posto de gasolina com telefone e um parquinho. Acabou a vilazinha. Engata a 1ª marcha e na 1ª, mesmo já está fora. O João filmou a "cidade". Agora são 09:58, com 4ºC, lá fora. Próxima parada Puerto San Julian. Descobrimos que em alguns postos eles só colocam até $100,00 (pesos argentinos) de gasolina. Não podem colocar mais. Então, é melhor não rodar com menos de meio tanque. O João viu alguns animais e disse ser lhamas, eu falei que achava que, nesta região, não tem lhama, pode ser cervo ou veado. A Mehl também viu alguns e disse que não era veado. O pouco que vi, pois vi de relance e de longe, disse que não era lhama, pois a lhama é mais peluda. Agora estamos procurando para ver se achamos mais. Não achamos. Só ovelhas. Perguntei para o João se ele sentiu diferença no pneu depois que ele aplicou o spray, mas esquecei que ele não dirigiu ontem quando a pista estava escorregadia, em Comodoro Rivadávia, eu que dirigi. Parecia que estava patinando no gelo.
Descobri que o nome dos veadinhos são guanacos. O João resolveu não parar em San Julian. São 11h05min, mais uma hora e estaremos em Comandante Luís Piedra Buena. Tiramos foto no Rio Chico e logo adiante vimos uma carreta capotada. Paramos num posto em Comandante Luís Piedra Buena às 12h00. Abastecemos e compramos dois sanduíches, Sprite, iogurte e bolacha. Este foi nosso almoço. Agora são 12h40 e estamos na estrada de novo. Rumo a Rio Gallegos (pronuncia-se gajegos). Tirei foto do Le Marchand, parece ser uma pousada (muito bonita, por sinal). O João falou que a neve e a vegetação, às vezes, parece sorvete napolitano (onde ele está vendo o rosa, não sei) e às vezes, parece bolacha negresco.
A máquina fotográfica da Mehl foi pro espaço. Ela pediu pra eu colocar um carregador no isqueiro do carro. Eu nem estava sabendo para que era. Coloquei. Era da máquina e ela estava tentando carregar. Aí, ela disse que não funcionava. Até então, não sabíamos o que tinha acontecido.
Finalmente, estamos mais perto. Chegamos em Rio Gallegos às 14h50. Agora, vamos procurar o hotel. Temos três opções. Passamos pelo Covadonga e não gostamos. Vamos procurar o Apart Austral. É neste mesmo que vamos ficar. Começa tudo de novo: vai para o carro, tira as malas, as mochilas, a sacola de comida e água, traz para dentro do hotel, sobe escada e estamos no quarto. Ufffa!! Bem. Já lavei as cuecas, as meias, as calcinhas e os sutiãs. Estão secando no banheiro. Tão quente aqui dentro, por causa do aquecedor, estou tomando até mais água, por conta disto. Lá fora: 4ºC. Já falei com a mãe. Ela avisou que amanhã estará em Curitiba, porque na 2ª-feira, o pai tem médico. Agora vamos descansar.
Não deixamos o João dormir. Tentei enviar um e-mail para a Alba, com fotos, mas não consegui. Aí o João viu que eu estava me batendo, e falou para mandar um e-mail para o Almir, dizendo que, se a Marina tiver Orkut, para procurar João Weege e ver as fotos lá. Aí a Mehl falou pro João que a máquina fotográfica dela não estava carregando, o João foi ver e pelo jeito foi pro espaço mesmo. Parece que queimou só o carregador, mas sem o carregador não vale a máquina. Foi uma “emburração” só. Começou a choramingar que a mãe e o pai iriam brigar com ela; que não era pra ela nem ter trazido a máquina, porque a mãe não queria deixar, porque ela ia estragar... e por aí afora, foi. E eu e o João tentando falar pra ela que nós íamos ver outra máquina, quando voltasse pelo Chuy. Que era pra ela curtir a viagem e não se preocupar com a máquina. Mas não teve jeito.
Là pelas 17h00, nós saímos e fomos passear. Fomos ver a Catedral de Rio Gallegos, tiramos foto do Classe A em frente a ela, igual à foto que tem no Guia O Viajante Argentina. Vimos a Plaza San Martin, passamos em frente ao Cassino, e só não pudemos entrar porque a Mehl é de menor. Daí, voltamos ao hotel, mas antes de entrar, vimos uma loja de calçados. O João comprou um botinão pra ele. Uma Caterppilar (sei lá se é assim que escreve). A Mehl ficou se enrolando, não gostou de nenhuma bota; quando viu uma que agradou, o vendedor ficou um tempão procurando o outro par, lá dentro e não achou. Pediu pra gente voltar amanhã, que até amanhã ele achava. Só que amanhã, vamos sair bem cedo. São 18:18 agora. O João estava na internet e como não está funcionando mais, já ficou irritado e disse que vai dormir até a hora de irmos jantar, às 20h00.
Não conseguimos descansar muito. Saímos às 19h50 e fomos jantar. A hora que abrimos a porta do hotel... Meu!!! Isto é que é frio!!! Nem sei quanto graus estava, mas era muiiito frio. E vento. Fomos ao restaurante indicado pelo recepcionista do hotel, o La Rocca. O João pediu uma sopa e um suco de laranja; a Mehl pediu sopa e coca-cola e eu pedi escalope e água. O João comeu e não estava se sentindo bem, nem comeu direito e só tomou metade do suco; eu acho que o suco de laranja não fez bem. A Mehl tomou a sopa e comeu ¼ do escalope, e ainda rapou o restante do suco do João. Viemos embora com o João passando mal, mesmo. Vamos tentar dormir e ver como ele levanta pela manhã.

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

8º DIA – 11/07/2008 – 07h30 – SAÍDA – PUERTO MADRYN - 6ª FEIRA

Hodômetro: 46.646 km.
Puerto Madryn: El Gualicho Hostel
Caleta Olívia: El Hueso Perdidos
Quilometragem feita de Puerto Madryn a Caleta Olivia: 47.174 - 46.646 = 528 km

De Curitiba a Caleta Olivia: 47.174 - 42.919 = 4.255 km

Acordamos às 04h30, porque o João não estava se sentido muito. Eu aproveitei, depois, e fui para o banho, lavar o cabelo. Está muiito frio! Brrrrrrr! Arrumamos o carro e voltamos para o quarto para pegar a Mehl e tomar café. Saímos da pousada às 07h30, passamos no posto para abastecer. O carro fez 10,83 km/l. Passamos a rotatória às 07h45min ainda está noite, noite mesmo. Lá fora: 6,5º, 6º e caindo.
Às 08h15min entramos em Trelew. Mais um baile para sair da cidade. Eles colocam placas de sinalização para s moradores e não para quem vem de fora. Aquele problema: tem várias rotatórias e as placas ficam adiante, onde você já passou da onde queria ir. E numa placa tem a cidade que você quer, na outra não diz mais nada. Ficamos rodando na rotatória como uns tontos. Ufa! Conseguimos ler todas as placas e ir para o lado certo. Saímos da cidade às 08h30. Vamos parar em Uzcudum (isso é nome de cidade que se apresente?). Em Trelew estava 2,5º. Agora, quinze minutos depois, está esquentando um pouco: 5,5º. Agora que está amanhecendo.
São 08h43min e a temperatura está variando entre 05º e 3,5º.
Só agora consegui escrever, nem sei que horas são. Estou dirigindo há 295 km. Passamos por Comodoro Rivadávia, mais ou menos às 12h00. Para ir a Caleta Olívia tem que passar no meio da cidade de Comodoro Rivadávia. Apesar de eu estar no volante, deu para ver que parece ser uma cidade bacana. A estrada estava escorregadia, parecia que tinha sabão. Pra variar, com essas placas que eles colocam depois que a gente já passou da entrada, tivemos que voltar para achar o caminho. Agora estamos abastecendo num posto da entrada de Caleta Olívia. Não pudemos ir ao banheiro; está fechado por falta de água. O jeito é segurar até achar o hotel ou um restaurante. O carro fez 11 km/l.
Já falei que as placas de trânsito são uma piada? Acho que está se tornando repetitivo, mas tenho que escrever isso para não esquecer. A placa que significa “Sentido Proibido” (lá no Brasil seria uma seta para cima com uma faixa enviesada cortando esta seta), aqui é... não sei descrever, só sei que no Brasil significa alfândega. Isso mesmo!! A gente via aquela placa e achava que tinha uma alfândega adiante. A gente descobriu que não era alfândega, quando começamos a ver muitas placas dessas espalhadas pela cidade e os carros dando sinal de luz para nós, ou buzinando. Ah!!! Até parece que o povo aqui é português. Tão mais fácil uma seta cortada significar contramão, do que uma com sei-lá-o-quê no meio!!! Depois de rodar bastante, procurando um hotel, nessas alturas servia qualquer um (fomos em um e não tinha vaga: a moça recomendou um mais adiante; eram cabanas, mas também não tinha vaga). Até parece que esta é uma cidade muiiiito interessante. Não é turística, mas é pólo industrial, também. Tem muitas empresas aqui. Também, que idéia nossa, reservamos hotel até Puerto Madryn só, depois achamos que não precisava mais reservar. Rodamos mais um pouco até acharmos um que tinha na minha lista (El Hueso Perdidos), o segundo. O primeiro acho que não existe mais (Hotel Robert), até tinha propaganda, mas como não tem nome de rua nesta cidade, não achamos. O que achamos foi o segundo que, caraca!!! Que hotel é esse? Estou me sentindo numa daquelas cidadezinhas do México, que a gente vê em filmes. Hotel super-mega-hiper-ultra suspeito. Bem, chegamos à “esse” hotel, mais ou menos às 13:45. Como estávamos cansados, com fome, muiita vontade de fazer “pipi” e sem paciência de rodar esta cidade perdida, ficamos neste mesmo. Fomos ver o “quarto”. Bem, pra chegar no quarto tinha que passar num labirinto, primeiro. Parece que o hotel foi construído aos pedaços. Enfim, vimos o quarto, visitamos o banheiro e descemos para almoçar. Tem um “restaurante” anexo ao hotel. O que deu para pedir, não sem um certo receio, era purê de “papas” (batatas), “ensalada” mista (tomate e cebola) e milanesa de ternera (bife à milanesa). O João ainda não está muito bom da gripe nem do estômago; comeu só um pouco de purê de batata e salada. Eu e a Mehl comemos ressabiadas. Agora estamos no quarto, são 14:29, e só agora trouxemos as malas. Vamos descansar, não tem nada pra ver na cidade, nem bonita é (e com certeza iríamos nos perder de novo, melhor ficar no quarto). Bom, pelo menos tem tv no quarto. E nos deram umas toalhas, também, muito suspeitas. Descansamos um pouco. Levantamos mais ou menos às 17h00. João foi aplicar um spray nos pneus do carro, para não derrapar. Feito isto, fomos até um supermercado, pertinho do hotel, para comprar água, bolacha água e sal, galetitas (uma delícia), achocolatado pronto e gatorade. Esta vai ser nossa janta. Eu não me arrisco a jantar no restaurante, e ninguém tem vontade de sair para ver outro restaurante (se é que tem algum que valha a pena). O João está baixando as fotos no notebook e eu e a Mehl estamos vendo tv. Já fizemos lanche. Bendita chaleira elétrica!! Fiz um chá para o João, que tomou com bolacha, e eu e a Mehl tomamos o achocolatado (a Mehl falou que era horrível; eu tomei e nem é tão horrível assim). Às 20h00 o João perguntou se estava bom levantar às 06h00; prontamente a Mehl respondeu que preferia levantar as 05h00 para dar o fora daqui rápido. É, num hotel que não preenchemos ficha nenhuma... Parece hotel de refugiado. São 20h15min, e já estamos prontos para dormir.

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

7º DIA – 10/07/2008 – 08:26 – SAÍDA – BAHIA BLANCA - 5ª FEIRA

Hodômetro: 45.912 km.
Bahia Blanca: Hotel Austral
Puerto Madryn: El Gualicho Hostel
Quilometragem feita de Bahia Blanca: 46.646 - 45.912 = 734 km

De Curitiba a Puerto Madryn: 46.646 - 42.919 = 3.727 km

Levantamos às 06h00 e tomamos banho. Às 07h00 descemos para tomar café. Subimos, terminamos de arrumar as malas, escovamos os dentes e vamos sair rumo à Ruta 3 – Puerto Madryn. Pedimos o carro e levou um tempão até eles buscarem o carro. Abastecemos, compramos água (nunca tomei tanta água na minha vida, é por causa da calefação), lenço de papel e agora o João vai calibrar os “neumáticos” (pneus). Ele fez os cálculos e o carro fez 10,45km/l. Depois de calibrar, vamos partir. São 8:26, agora vamos.
Às 08h50 passamos por uma inspeção zoofitossanitária, para ver se não estamos levando animais, carnes, queijos, frutas ou verduras e pagamos um pedágio de $2,50. Às 08:58 pegamos a Ruta 3 para Viedma. A vegetação aqui é diferente, parece uma mistura de deserto com vegetação de praia. Em alguns lugares tem areia de praia, em outras é terra (parece um barro branco). E lá fora, 10º.
Passamos um susto desde a saída de Buenos Aires até hoje, em Bahia Blanca. Quando nós saímos de Buenos Aires, li no Guia O Viajante que a aduana Argentina tinha que nos dar um papel, que é o documento de entrada no país. Acontece que não nos deram papel nenhum, apenas conferiam os passaportes, os documentos do carro e mandaram ir embora. Nós estávamos preocupados: como ia ser para sair da Argentina e entrar no Chile? Daí ontem à noite, o João resolveu ver os carimbos nos passaportes. Ele viu três carimbos, dois ele conseguir identificar: eram do Uruguai e um ele não sabia de onde era, não dava para ler. Ele achou que era do Uruguai, também. Isso foi visto quando estávamos no bar do hotel. Hoje de manhã eu fui ver no meu. Também tinha três carimbos: dois identificáveis e um, não. Aí resolvi dar uma olhada no passaporte da Mehl. O carimbo que não dava para identificar no nosso, no dela estava legível e era a entrada para a Argentina. Uffa!! Que alívio!! Os argentinos carimbaram na aduana Argentina, ainda no Uruguai, antes de pegarmos a balsa. Mas com aquela correria, por causa do horário, nem vimos que era a imigração Argentina. Tendo o carimbo no passaporte, não precisa do “bendito” papel, só se nós estivéssemos com a identidade, e sem passaporte. Agora estamos mais tranqüilos. Eu dizia pro João: “Nós vamos até onde der. Acho que quando estivermos bem no sul, eles vão ficar com pena de nós e nos deixar passar, como quem diz ‘já que chegaram até aqui...’” Ah! Esqueci de falar. Ontem foi feriado na Argentina – 09/07. Por isso as lojas estavam fechadas. Não sei o que significa esta data na Argentina, mas vou procurar saber.
(Mais tarde, ainda na viagem, descobrimos que em 09/07/1816 a Argentina proclamou sua independencia da Espanha).
Na maioria dos estabelecimentos, casas, prédios do governo, tinha uma bandeira hasteada, ou nas janelas.
Estamos vendo bolas de feno cruzarem a frente do carro. Parece o Velho Oeste. Às 11:06 passamos por Carmen de Patagones. Estamos a 3 km de Viedma. Paramos para tirar foto de uma ponte bonita. Entramos em Viedma, paramos no posto e abastecemos. Pra variar, perdemo-nos ao sair da cidade, demos algumas voltas, até achar a Rota 3 novamente, agora para San Antonio Oeste. Entramos numa estradinha de asfalto e logo se transformou em rípio. Chegamos num órgão do governo, algo parecido com o Ibama, para obter informação, mas quem disse que apareceu alguém? Saímos e voltamos. Ô cidade sem placa nenhuma! Vimos um carro parado em frente a uma escola rural e perguntamos pro motorista. Ele nos deu uma indicação, que seguimos. O que ele falou, por enquanto, faz sentido. Pegamos uma estrada, um trecho era asfalto, um trecho era rípio e outro trecho de asfalto. Fomos seguindo, e nos perguntando se era aquela estrada mesmo, mas continuamos. Bem mais adiante, encontramos um tratorista; perguntamos e ele falou para seguir e depois virar à direita: e mais ou menos 45 km adiante pegar à esquerda para San Antonio Oeste. A estrada de onde saímos era um dos vários “caminhos” que davam na Rota 3 (todos esses caminhos eram numerados, mas o nosso não sei que nº era). Bem, estamos na Ruta 3.
Chegamos a San Antonio Oeste às 13h30, compramos salgadinho e chocolate no posto Shell. Jão não quis abastecer neste posto. Mais adiante encontramos um YPF. O João mesmo abasteceu, direitinho, pois não tinha frentista. Pagamos e fomos embora. Quase pegamos a rota errada, de novo. Mas desta vez não andamos muito, logo pegamos a Rota 3. É engraçado, que nas rotatórias, as placas indicativas das cidades ficam depois que você passa pela rotatória, aí se você errar o caminho tem que fazer a volta adiante da rotatória. É uma confusão. Ô povo sem noção! Passamos por outro posto de controle da aftosa. Tudo certo. Vamos em frente. Rumo a Purto Madryn. Como esta estrada é compriiiiiiida! De repente a gente se vê em cima de um morrinho e vê aquela fita de estrada indo láááá longe, no horizonte. Diz o João que faltam cinco minutos para Sierra Grande. Em toda a extensão do acostamento tem tiras de pneus. Como estoura pneu de caminhão! Passamos por Sierra Grande às 14:35. E a temperatura: 8,5º. Esqueci de dizer que dirigi 129 km, hoje. Dos 45 km do entrocamento para pegar à esquerda para San Antonio Oeste até San Antonio Oeste, propriamente dita. E o João só dormindo, enquanto eu dirijo. O pior é que quando ele dirige, o som está bom de ouvir, a música é boa e dá pra ouvir bem. Quando sou eu quem está dirigindo, ele coloca umas músicas ruins e o som bem baixinho, que não dá nem pra acompanhar.
(Eu não coloco músicas ruins. Simplismente porque estou dormindo, não faço a seleção das mesmas. E como quero dormir, vou aumentar o volume porque???)
Mais uma parada para controle da aftosa. Depois de revistado o carro para ver se levamos carne, frango, queijo, etc, mandam a gente seguir. Chegamos a Puerto Madryn, mais ou menos, às 16h00. Tiramos foto do mirante, na entrada da cidade, que fica lá embaixo. Ao hotel, chegamos às 16h10. Esta cidadezinha também é muito boa para morar, fácil de andar. Estamos no quarto. Deu uma canseira danada subir com as malas. Daqui a pouco vamos sair. Fomos pedir informações de onde ir, pro rapaz da recepção, o Alexandro. Ele nos falou do Museu do Desembarco. Mais ou menos uns 40 minutos a pé. Rapaz! Nós corajosos fomos. E provamos que o coração está bom, mas as pernas, não. Quase morremos de cansaço! Fora o vento: de congelar fogo. Chegando lá, visitamos o museu, muito interessante a vinda dos galeses para a América do Sul. Vimos a história do líder deles, Edwin, que estava cavando um poço junto com os conterrâneos, e os mesmos o deixaram no fundo do poço, que já tinha oito metros de profundidade, talvez por inveja, raiva, sei lá. Um mestiço, não se sabe se por medo ou por gostar do tal do Edwin, conseguiu tirá-lo de lá depois de trinta horas. No sítio histórico, perto do museu, vimos, também, as primeiras casas, que foram escavadas na rocha, bem na beira da praia, como cavernas. Depois de ter visto a história, vimos também uma capela e a estátua de São Francisco de Paula. Descemos de novo e fizemos todo o caminho de volta. Mais 40 minutos andando. Quase perto da pousada, umas cinco quadras, ainda na avenida beira-mar, jantamos no Restaurante La Barra: nhoque quatro queijos. Deu pra descansar, matar a fome e se esquentar.
(Confesso que o shot de tequila e a garrafa de vinho ajudaram bastante)
Chegamos à pousada às 20h00. Ah! Uma falta de sorte a nossa: não tinha água na pousada. Vamos dormir sem água... e sem banho.

domingo, 26 de outubro de 2008

6º DIA – 09/07/2008 – 06:06 – SAÍDA – MAR DEL PLATA - 4ª FEIRA

Hodômetro: 45.412 km.
Mar del Plata: Hotéis Valle
Bahia Blanca: Hotel Austral
Quilometragem feita de Mar del Plata a Bahia Blanca: 45.912 - 45.412 = 500 km

De Curitiba a Bahia Blanca: 45.912 - 42.919 = 2.993 km

Saímos do hotel agora, sem tomar café da manhã. Vamos comer alguma coisa pelo caminho. O café da manhã só começa a ser servido às 07h30. Pegamos a Rota 88, que sai de Mar del Plata, às 06h30 e vamos à Bahia Blanca. São 06:55 e nada de clarear o dia. Está escuro como breu e lá fora, 9ºC. Às 07:21 o sol começa tentar a romper a barreira da escuridão. No horizonte, aparece um levíssimo tom rosado. E a temperatura caindo: 7,5º. Agora, sim, consigo escrever sem usar a lanterna. Clareou às 08h00, são 08:06 agora. Paramos para tomar café. A Mehl só comeu um torrone. Passamos por Quequen e Necochea. Na estrada que vai para Três Arroyos há muitos pássaros. Eles fazem uma formação enorme no céu, parecem pequenos aviões. É bonito de ver.
A temperatura oscila entre 6º e 8º. Dentro do carro, 22º, e estamos bem agasalhados. Abastecemos novamente em Três Arroyos. Ta um frio pra caramba lá fora. Agora vamos pegar a famosa Ruta Nacional 3. Tiramos fotos de uma plantação de oliveira e de cavalos, entre Três Arroyos e Coronel Dorrego. 8ºC lá fora.
Chegamos à Bahia Blanca às 11h50, depois de rodar bastante na entrada da cidade (acho que era uma entrada). Ficamos no Hotel Austral, quartos 303 e 304. Hotel com quartos bem grandes. Deixamos as malas e fomos almoçar no Victor’s Restaurante, a duas quadras do hotel, em frente à Plaza Comodoro Rivadávia, no centro. O estacionamento que o hotel oferece fica à duas quadras e meia dele. Ah, não posso esquecer de dizer que a moça que fez o nosso check-in era a cara da Marcele, do Edson, meu primo. Agora, vamos descansar.
São mais ou menos 17h00. Vamos passear de novo. Olha, quando fomos almoçar e pegar o celular do João no carro, que estava no estacionamento, fui vendo se tinha loja de armarinhos, achei uma, mas estava fechada, por causa da “siesta”. Eu já estava achando que o pessoal não prega botão, não costura, não borda e não faz tricô nesta parte do mundo. Só que agora, estamos indo passear de carro, não dá tempo de ver fios e fitas. Mas mesmo assim as lojas estavam fechadas, não sei porque. Perguntamos para a recepcionista como se vai até o porto e ela explicou. Pegamos a rua do hotel (Av. Cólon) e seguimos reto até a “rotonda” (rotatória deles); fomos além da rotatória e descobrimos uma refinaria da Petrobrás. O João explicou que Bahia Blanca é uma grande cidade industrial; além da Petrobrás, abriga a sede da Dow Química, com quem o pai dele trabalhou. Depois, voltamos até a rotatória e viramos à direita até o Porto Ing. White (Engenheiro White) – Porto de Bahia Blanca. Descobrimos que para ir ao sul da Argentina é pelo mesmo caminho que vai até a “rotonda” e viramos à direita. Tiramos fotos do porto, voltamos, passamos em frente ao hotel e fomos dar uma volta no centro. Vi uma feirinha na praça, paramos para ver. Passeamos, compramos um jogo de churrasco (garfo e faca grandes) para o Jose e voltamos para o carro; demos mais uma volta de carro e voltamos para o hotel. A cidade é bem fácil de andar. Vamos jantar às 20h00. O João não está muito bom da gripe. Descemos às 19:55, fomos ao restaurante do hotel e a moça que estava limpando nos tocou de lá, dizendo que ainda não estava aberto. Ela foi muito “simpática”. Enxotou-nos, mesmo. Aguardamos, então no bar. Às 20h00 fomos olhar o restaurante e ainda não estava aberto. Decidimos, então, tomar chá com misto quente. A mocinha que serve no bar, esta sim, é muito simpática. Comemos, e o João está mal mesmo. Ele acha que por comer muito doce. Eu acho que foi, também, o sanduíche do Mc Donald’s, e uma virose que está vindo por aí, como aquela que ele teve quando foi para a Rússia. Estou dando Trimedal para ele, por causa da gripe, mas o problema é estomacal, também. Tomara que amanhã ele amanheça melhor. Esqueci de contar, o João está sonhando em espanhol. Esta noite ele falou dormindo e enrolando a língua, num castelhano arrastado. Bem, vamos dormir, agora. São mais ou menos 21h00.

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

5º DIA – 08/07/2008 – 08:01 – SAÍDA – BUENOS AIRES - 3ª FEIRA

Hodômetro: 44.978 km.
Buenos Aires: Gran Hotel Argentino
Mar del Plata: Hotéis Valle
Quilometragem feita de Buenos Aires a Mar del Plata: 45.412 - 44.978 = 434 km

De Curitiba a Mar del Plata: 45.412 - 42.919 = 2.493 km

Acordamos às 06h00. Saímos de Buenos Aires e não foi tão difícil, mas perdemos uma saída para La Plata. Chegamos à conclusão que a saída era falsa, pois continuamos na rodovia e chegamos a La Plata do mesmo jeito. Chegamos a La Plata às 08h40. E agora? Onde achar as correntes (cadenas) para os pneus? Pergunta daqui, pergunta dali. Informaram-nos que uma loja, a Ekipar, vendia, fica na Calle 528. Vamos procuras a Calle 528, então. Roda de um lado, roda de outro. Vemos os números das ruas (os nomes das ruas são números), até que entendemos, mais ou menos, a numeração. Achamos. E para se fazer entender? Ainda bem que o vendedor tinha boa vontade e nos ajudou. Ensinou-nos a colocar as correntes. Compramos, também um spray para aplicar nas rodas e aumentar a aderência sobre o gelo. Depois de tudo comprado, vamos embora. São mais ou menos, 10h20. Pergunta daqui, pergunta dali, onde é a saída para Mar del Plata. Conclusão: pegamos a Ruta 2, que é a saída, às 10:45. E vamos em direção a Mar del Plata. Vamos ver se, novamente, se repete o milagre da gasolina. O carro fez 12,27km/l com gasolina uruguaia.
Às 11:45 paramos para almoçar num Mc Donald’s no meio da rodovia, anexo a um posto Shell, em Chascomus. O João não gostou nem um pouco disto. No meio do caminho, tiramos foto num memorial para Juan Manuel Fangio. Ele nasceu em Balcarce e o memorial fica na entrada da cidade de Coronel Vidal, onde tem a estrada que vai para a cidade de Balcarce, também. Chegamos em Mar del Plata, mais ou menos, às 15:15; dessa vez foi fácil achar o hotel. Deixamos as bagagens no quarto 402 e fomos passear no calçadão da praia. Muito legal a cidade. Boa para morar. Vimos o Cassino Central. Um cachorro invocou conosco, queria lamber o João, enquanto ele falava com a vó. Depois foi nos seguindo, mas algo desviou a atenção dele e ele se perdeu de nós. Antes de irmos até a praia, deixamos as roupas numa lavanderia, perto do hotel, para pegar às 19:45. Depois do passeio, voltamos ao hotel, descansamos e dormimos. Às 17h30, eu e a Mehl saímos para comprar alfajor e rosquinhas numa padaria (paneria) na outra esquina, perto do hotel. E pra perguntar o preço das coisas pra moça? Ela falava: “Cem com cincoenta”. Eu achava que ela queria me vender cem rosquinhas por $50,00 (pesos argentinos). Eu dizia que 100 rosquinhas era muito. Até que a Mehl me ajudou a entender. Ela queria dizer “cento e cinqüenta”. Só sei que compramos o alfajor e as rosquinhas e voltamos para o quarto. O João viu os e-mails dele; eu vi os meus, e saímos novamente. Tiramos foto da Catedral de Mar del Plata, dentro e fora, e fomos passear pelas redondezas. Apesar de ser uma cidade litorânea, (no verão é um centro turístico dos mais badalados) e estar muito frio, o pessoal da cidade fica até tarde da noite na rua. Aqui eles também fazem a “siesta”. As lojas fecham às 12h00, 13h00 e só reabrem às 16h30, para fecharem às 20h30. Às 19:45 fomos na lavanderia, pegar as roupas e as deixamos no hotel. Pedimos informação, na recepção, de um restaurante e eles nos indicaram o “El Zafarrancho”. Na ida para lá, um rapaz nos ouviu conversando e perguntou: “Where are you from?” e respondi: “Brasil”. Aí ele começou a conversar conosco, falando sobre como o Brasil é bonito, tem mulheres bonitas, São Paulo, Rio de Janeiro, que gostaria de ter nascido lá. Nós falamos que a Argentina também é bonita. E nisso nós chegamos ao restaurante. Confabulamos antes de entrarmos, porque parecia ser um restaurante caro, mas entramos assim mesmo, para ver. Não era caro. Pedimos medalhão de mignon e filé de linguado. A comida é muito “exquisita”, ou seja, em bom espanhol, deliciosa. Pedimos vinho e a Mehl pediu coca-cola. Jantamos e fomos embora. Agora é hora de dormir.

terça-feira, 21 de outubro de 2008

4º DIA – 07/07/2008 – 06h40 – SAÍDA – MONTEVIDÉU - 2ª FEIRA

Hodômetro: 44.784 km.
Montevidéu: IBIS Hotel
Buenos Aires: Gran Hotel Argentino
Quilometragem feita de Montevidéu a Buenos Aires : 44.978 - 44.784 = 194 km

De Curitiba a Buenos Aires: 44.978 - 42.919 = 2.059 km

Acordamos às 05h00, tomamos café. E levamos um baile para arrumar as malas no carro. Conseguimos sair às 06h40. Agora vamos em direção ao Porto de Montevidéu e depois pegar a Rota 1. Amanheceu com uma garoa e agora, às 07h20 está uma chuva forte. Amanheceu, maneira de dizer, além da chuva, uma escuridão só. Às 07h40 começou a amanhecer, clarear o dia. Paramos num posto para abastecer. Vamos pegar a balsa para Buenos Aires, em Colônia Del Sacramento, ou entrar em contato com a Buquebus (empresa que faz a travessia). Chegamos ao Porto de Colônia às 09:25. Paramos no escritório da empresa e a mocinha nos disse para correr porque o barco saía às 09:45, ou podíamos ir à tarde de 1ª classe. Qual o quê?! Esperar até a tarde era perder tempo demais e ir de 1ª classe é desperdiçar dinheiro. Foi uma correria só! Não sabíamos onde entrar, perguntava pra um, pra outro, até que achamos uma boa alma que nos levou até o guichê que vendia as passagens, só que tínhamos que deixar o carro no local (que era onde aguardava para entrar com o carro no barco) e correr uns 200 metros para comprar as passagens. Tinha uma fila enorme. Tivemos que aguardar e o tempo passando... Pagamos o absurdo de $4.564,00 (pesos uruguaios). Isso dá R$ 414,90. Passamos pela aduana, apresentamos documentos, carimbaram os passaportes. Aí, como a dona do carro sou eu, tive que correr para o carro para entrar com ele no barco, e o João e a Mehl entraram sozinhos. Cheguei no carro com a língua de fora e o coração querendo sair garganta afora. Mostrei os documentos para o fiscal (na verdade nem mostrei, não sabia o que ele ia pedir; ele viu que tudo estava em cima do banco do passageiro) e me mandou seguir com o carro para entrar no barco. Fizemos tudo isso em 20 minutos. Achei que o carro não ia passar, pois com o bagageiro no teto, o carro ficou mais alto e o barco é baixo. Mas deu na tampa!. Entrei e encontrei os dois me esperando em cima, no saguão, onde, de um lado tem poltronas, e do outro um free-shop; no andar de cima é a 1ª classe. Uffa! A travessia leva uma hora. E faz um calorão lá dentro!! É bonito, mas não dá pra ver muita coisa da travessia. É água de um lado a outro. Bem, atracamos em Buenos Aires, e para sair do barco, pudemos ir pegar o carro no subsolo do barco, todo mundo junto. O João pôde sair dirigindo. O fiscal deu uma olhadinha nos passaportes, nos documentos do carro e mandou ir embora. Pra variar, rodamos um monte até acharmos o hotel. O João fez uma conversão perigosa para voltar ao centro, pois saímos do barco sem saber para que lado ir. Depois dessa conversão perigosa, paramos num posto de gasolina e perguntamos a um guarda que estava parado ali, onde era a rua (calle) do hotel; ele nos ensinou direitinho. O problema foi com as direções das ruas. Onde tinha que virar à esquerda, não virava, tinha que ir uma rua adiante para virar. Aí, na rua do hotel, que é paralela com a principal (9 de Julho), não dava para virar porque tinha um panelaço (manifestação do pessoal do campo, na Argentina) e a rua estava interditada. Mas, enfim, chegamos ao hotel, mais ou menos às 11h00. Fizemos o check-in, deixamos as coisas no quarto (ficamos no 302), algumas coisas no cofre; tirei algumas coisas da minha mochila e deixei outras. Final da história: fomos passear e passaram a mão no meu óculos de sol e no meu porta-moedas (tinha R$ 7,00). Primeiro fomos almoçar no Burger King, eu ainda estava com meus óculos. Eu lembro que, como não havia mais sol, tirei-o e coloquei na caixinha amarela e guardei-o na mochila, junto com o porta-moedas. E o João que estava carregando a mochila, ele achou que era mais seguro com ele. Compramos camiseta do Homer Simpson e do Boca para o João e camisetas para mim. Quando fui comprar o cashmere da mãe, a moça da loja falou que a mochila estava aberta. E daí nos demos conta que tinham roubado o óculos. Agora vai ser um problema. Não sei dirigir sem óculos de sol. Cheguei no hotel fula da vida. Fui ver se tinham tirado mais alguma coisa e senti falta do porta-moedas, também. Aí, também dei falta do livro que estava lendo (O Monge Inglês). Mas acho que, este, esqueci no hotel em Montevidéu. Agora é que estou mais louca da vida, ainda. Sem óculos e sem livro!!
Bem, vamos sair de novo, daqui a pouco. Gente!!!! Deixa eu contar o que aconteceu conosco nesta 2ª saída. Fomos pela Calle Rivadavia (rua onde o João deixou o carro no estacionamento) até a Plaza de Mayo e Casa Rosada. Como o pessoal do panelaço da manhã estava na praça, tiramos fotos só de longe, pois tinha muita aglomeração. Ainda perguntei pro João se ele queria ir mais perto da Casa Rosada para tirar fotos (quase que coloco “xerox” – eu estou com a mania de falar “tirar xerox” em vez de “tirar foto”). Ele falou que era melhor não. Tinha uma gurizada jogando futebol na rua, ao lado da praça. Viemos andando e procurando uma ótica para comprar um óculos de sol para mim. Beleza! Achamos e o João também comprou um óculos para dirigir à noite, com lentes amarelas. Passamos por alguns cafés, fomos tirar fotos do Obelisco, na 9 de julho. Era mais ou menos, 16h30. Passamos por um restaurante e achávamos que íamos jantar nele. Voltamos para tomar um café num Café que o João viu, assim, de relance. E achou um bom lugar (Hipólito Café). Entramos, pedimos café e a Mehl pediu chocolate quente (estava frio). De repente, o garçom chamou nossa atenção para a TV. Era a Plaza de Mayo em polvorosa, com policiais descendo o cacete nos manifestantes. A confusão começou porque os manifestantes queriam montar acampamento em frente à Casa Rosada. Era gente apanhando, carro pegando fogo, tiros. Caraca!!! Só de pensar que tínhamos acabado de sair de lá. O Café que nós estávamos ficava a umas três quadras de lá. O garçom passou a chave na porta, porque as pessoas começaram a vir naquela direção, correndo, e ele ficou com medo que invadissem o Café. Os carros de polícia passavam com as sirenes ligadas. Algumas pessoas não sabiam o que estava acontecendo e iam na direção da praça e depois voltavam correndo. Ficamos no Café até umas 18h30, quando achamos que era seguro sair. Tiramos fotos com o pessoal do Café e com o dono, que diz que trabalhou em Curitiba, no San Martin Hotel, na década de 80. Voltamos para o hotel e sossegamos o facho. Fomos para a cafeteria do hotel, no 7º andar; o João ficou na Internet no notebook dele, a Mehl ficou na Internet no computador do hotel, conversamos com o Jose, jantamos e agora, depois de banho tomado, dentes escovados, estamos prontos para dormir. São 21h30.

domingo, 19 de outubro de 2008

3º DIA – 06/07/2008 – 06:14 – SAÍDA – PORTO ALEGRE - DOMINGO

Hodômetro: 43.929 km.
Porto Alegre: IBIS Hotel
Montevidéu: IBIS Hotel
Quilometragem feita de Porto Alegre a Montevidéu: 44.784 - 43.929 = 855 km

De Curitiba a Montevidéu: 44.784 - 42.919 = 1.865 km

06h14min – saída rumo a Montevidéu. Já tomamos café da manhã. Foi uma novela sair de Porto Alegre. Uma escuridão e não conseguíamos pegar a ponte para ir em direção à Pelotas. Os gaúchos não sabem que a rodovia de Pelotas é a BR-116. Pedimos informação na guarita de uma indústria sobre a 116 e os seguranças falaram que para Pelotas não se vai pela 116. Será que o mapa da 4Rodas está errado? Acho que não. Passamos por dois pedágios. Depois paramos e abastecemos, mas não se repetiu o milagre da gasolina. Desta vez, fez 11,2km/l.
Bah, guri! Esta estrada não tem fim! E não tem niguém, também. Um caminhão ou um carro, vez ou outra.
Temos o carro há três anos e só agora o João descobriu como desembaçar os espelhos retrovisores externos. Eita nóis! Antes tarde do que nunca! Paramos de novo e abastecemos. Fez 11,7Km/l, agora.
Agora, sim, rumo ao Chuí, mais ou menos 240km. Montevidéu, 555km. São 10h10.
O João deixou eu dirigir. Acho que uns 80 km. Atravessei a Reserva do Taim. São 15km de Reserva. Mas, uma pena! Tem muito bicho morto na beira da estrada, acho que são antas. Eu passei a 80km/h, mas tinha carro que passava a 100, 120km/h. E mesmo com pena dos bichos e a 80km/h, os dois dizem que eu matei um passarinho!! E nem vi! Ficava olhando os bichinhos mortos e dizendo: “Que peninha!!”
Agora o João pegou a direção de novo. Depois de andar muuuuiiiito, passamos por Santa Vitória do Palmar, às 11h50. Chuí a 20km. Estamos quase no fim do Brasil!!!!
Chegamos ao Chuí às 12h00. Paramos na aduana brasileira (ou Polícia Federal?) para fazer a declaração do que estamos levando (notebook, celular, GPS, etc). Fizemos compras no Chuy uruguaio (entramos pelo Chuí brasileiro, atravessamos a rua e estamos no Chuy uruguaio), a Mehl comprou um MP3 e o João uma jaqueta. Almoçamos um baita almoço num posto e às 13:31 passamos a fronteira Brasil/Uruguai.
Caraca! Passamos na aduana uruguaia. Foi jóia! Estamos com os passaportes carimbados. Só não esquecer de, na volta, carimbar de novo e os papeizinhos, também. Passamos em Castillos às 14h40. Faltam 262 km para Montevidéu. Vimos uma viatura da polícia uruguaia. Andamos de Curitiba ao Chuí e não vimos uma viatura da Polícia Rodoviária Federal nas estradas. Nestes 50 km de estrada uruguaia já vimos uma.
Esqueci de falar que tinha uma pista de avião no meio da estrada. O João fez uma ultrapassagem, um pouco insegura, e levou um sinal de luz. Eu tirei sarro dele e ele falou: “Os caras colocam uma pista de avião no meio da estrada e vocês vêm me falar de segurança?”
Ah! Esses dois! Querem ouvir música e fazem uma confusão!!! Tira cabo, põe cabo. Tem mais cabo neste carro que numa sala de informática. A Mehl, para ligar o MP3 dela, tem que ligar o DVD, colocar o cabo do MP3 no DVD, do DVD no isqueiro do carro... Affe! Acho que ela esqueceu de trazer o CPU, como disse o João. Passamos por Rocha às 15:11. Posto no Uruguai: Ancap. O Povo daqui é bem hospitaleiro, pelo menos no que diz respeito aos motoristas: quando eles vêem um carro se aproximando de forma rápida pelo retrovisor, eles abrem caminho para o carro passar.
Passamos por San Carlos às 15h50. Passamos e abastecemos em Pan de Azúcar às 16:18. Deu $600,00 (pesos uruguaios). $11,00 (pesos uruguaios) valem R$1,00. Então, deu R$ 54,55.
Chegamos no IBIS Hotel, mais ou menos, às 18:15, depois de ficar procurando muuiito o endereço o hotel. Mas, enfim, chegamos. Estamos nos quartos 318 e 322. Está muito frio aqui. Deixamos as malas e fomos para o shopping Punta Carretas comprar gorro e cachecol para o sr. João que perdeu o dele na Rússia ou Amsterdã (ele diz que não foi ele que perdeu). Fomos de táxi, o recepcionista do hotel chamou um para nós. No shopping compramos o gorro, o cachecol e, ainda por cima, a Mehl e o João pediram um sorvete, com aquele frio. E na volta? Não sabíamos onde procurar um táxi. Pedimos informação para o segurança do shopping, mas dei a dica errada para o João perguntar (em vez de pedir um táxi, falei para ele pedir um coche de aluguel, aí o rapaz mandou procurar, fora do shopping, uma loja de aluguel de carro). Só quando saímos do shopping, entendemos que fizemos a pergunta errada! Andamos por ali e nada de táxi. E um frio de gelar a alma, os ossos, as veias, tudo!!! Até que chegamos no Sheraton Hotel e pedimos para o recepcionista se ele podia chamar um táxi para nós. Santo rapaz!!! Foi super-hiper-mega-ultra-simpático. Rapidinho tinha um táxi na porta. Enquanto o táxi não chegava, ficamos no quentinho, aguardando no saguão do hotel. Voltamos para o IBIS e fomos fazer um lanche no restaurante do hotel. Pedimos 3 misto quente, duas taças de vinho e a Mehl queria chá. O garçon falou: “Tiemos te (chá) de camomila, de ervas, de boldo... “ e a Mehl, mais do que depressa: “De boldo!” Foi uma zoação só com a cara dela. Ela, rapidinho, se emendou: “Quero uma coca-cola!” O misto era o “senhor” misto, com batata frita e tudo, oito fatias de pão, recheado com queijo e presunto (queso e jamón). O vinho, não preciso dizer, me deixou tonta. Nem sei como consegui escrever tudo isso. Agora, vamos dormir para acordar bem cedo, amanhã.